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24/02/2009 - 22:12
O carnaval que passou em brancas nuvens

Bem aplicados e merecidos os reparos feitos, aqui, à ausência, na cidade, da troupe governamental durante o período carnavalesco.  Além da troupe governamental, somente os bem de vida puderam entregar-se, à tripa forra, aos  prazeres momescos, viajando a lugares distantes não alcançados pelo flagelo das enchentes, aumentando a população dos balneários, especialmente.  E especialmente, injetando um bom dinheiro na  economia do visitado, dinheiro ganhado aqui, na área encharcada pelas águas do Muriaé. Todos colaboram.  Diz-se que a decisão de não realizar carnaval nasceu de um consenso entre governantes da região.  Três aspectos dessa resolução parecem nebulosos e, por isso, mereciam ser explicados.  Primeiro, por que a troupe governamental se afasta da cidade, quando aqui deveria permanecer, aproveitar a retração das atividades e melhor investigar, determinar com exatidão, avaliar os estragos causados pelas cheias, bem assim elaborar, calmamente, o planejamento necessário à recomposição do estado anterior?  Em nota aqui divulgada, a prefeitura disse que no momento de desespero, fica humanamente impossível identificar a carência dos necessitados. E agora? O desespero ainda não passou, ou a carência dos necessitados já foi identificada?  Ou foi buscar-se no domínio das águas, de frente para o mar, no dolce far niente das praias, um refresco para o bestunto, a inspiração necessária para conhecer a origem do desastre, e o modo de tratá-lo? Segundo: diz a sabedoria popular, que quem não tem cachorro caça com gato. Se faltava recursos financeiros ao Município para “bancar” carnaval de rua, de “blocos”, alguns CDs de músicas antigas, de saudosos carnavais, executados por um alto-falante na Praça do Relógio, como foi sugerido neste sítio, faria a alegria da população.  Que seria muito maior se a troupe governamental estivesse presente para explicar o porquê da eleição do gato, e demonstrar apoio, oferecer conforto moral no momento de dificuldade.  Foi mal.  Aliás, foi péssimo!  Terceiro e último: consenso é muito bom.  Acontece que esse consenso deveria ter sido buscado entre a troupe governamental e a população local, que deveria ser ouvida por o assunto lhe dizer respeito.  O governo pode ter um pensamento, mas ao povo é assegurado ter outro.  O povo não quer ser governado, quer governar.  Democracia representativa é o povo governando por intermédio de alguém que escolheu pelo voto livre.  O governante não é o senhor das decisões, é o executor.  Não lhe é consentido decidir unilateralmente, conforme lhe dê na telha. Quer, o povo  (ao menos teoricamente) que o seu escolhido administre com responsabilidade, honestidade, transparência, cumplicidade. Governante não é o dono do botequim, é só o gerente.  Depois das urnas, é a sociedade organizada quem decide.  Em assim sendo, nesse episódio, será que a Câmara foi ouvida?  Será que as associações de moradores, os sindicatos, os clubes sociais foram ouvidos?  Se foram, maravilha!  Esse é o caminho.  Caso contrário, foi uma brutal “pisada na bola”.  Consenso bom entre os prefeitos seria para construir um ótimo hospital para os municípios pequenos, em um deles — Cardoso Moreira, Italva, Cambucí ou São Fidélis. Isso, sim!  Depois, é claro, de um consenso para exigir o asfaltamento dos 22 quilômetros de Italva a Pureza (até agora só assunto de palanque).  No mínimo,  para exigir acabar com a buraqueira infernal que existe na BR-356.  Já que a “estrada da Guarneri” é outro departamento. REGISTRO INDIGESTO. Com tristeza imensa, registramos o falecimento de WILSON JOSÉ, vitima de malignidade das enchentes.  Dos mais “ferozes” atacantes do EC Italva, foi um ídolo da torcida e uma referência na região.  Foi, também, o primeiro e último mestre-sala do primeiro e, quiçá,  último grande bloco carnavalesco que Italva conheceu.  Fez sucesso com a porta-bandeira Miralda Martins.  Entenderam-se tão bem, que se casaram.  E só a morte os separou. 

Que perda!  Que saudade! 

Por: Francisco Setembrino*

*Advogado, jornalista, criador do jornal "O Italvense".

 

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