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05/11/2007 - 21:47
Prefeito Darli fala ao UR-Gente após reprovação de suas contas

Ur-Gente - O Sr. acredita em quais motivos para que 5 vereadores tivessem votado contra suas contas?


Prefeito - Pelo que soube os discursos foram sem grandes fundamentações. Um disse que seguia o "Parecer" do Tribunal, outro disse que "não queria ser chamado de comprado pelo Prefeito", outro seguiu a orientação do Partido, outro que era de oposição ... enfim nada substancial contra minha pessoa, nem contra a atual administração. Infelizmente a discussão não alcançou um nível de seriedade que o assunto merece. É claro que estou extremamente agradecido aos vereadores Eli Marinho, Wilson Nogueira, Sebastião Cézar Melo e o Presidente da Casa Norival Martins pelos votos de aprovação às minhas contas.


Ur - O fato de ter ultrapassado os 54% com gastos de pessoal não é realmente relevante?


Prefeito - A análise deve levar em consideração as circunstâncias em que o fato se deu. Nós trabalhamos naquele período com uma expectativa de arrecadação que comportaria perfeitamente os 54% da arrrecadação nos gastos com pessoal. As receitas não aconteceram naquele ano como esperávamos, vindo a ocorrer no ano seguinte.Tivemos que admitir os servidores aprovados em um concurso onde não participamos do processo. O governante anterior havia gastado 58,4% com despesas no pagamento de pessoal no ano 2000, admitidos sem concurso. A Lei da Responsabilidade Fiscal já estava em vigor. O Tribunal de Contas deu "Parecer Favorável" às suas contas. A Câmara também aprovou as contas do Executivo naquele ano. Conosco o peso e a medida foram diferentes. Observe-se que atingimos 57,73%, apenas 3,73% acima do permitido.


Ur - O Sr. acha que faltou diálogo com a Câmara?


Prefeito - O relacionamento nosso com a Câmara foi sempre amistoso e respeitoso. Desde que assumi recebi da Câmara 685 Requerimentos sobre os mais variados assuntos, propondo, perguntando, solicitando, consultando. Tudo o que os Srs. vereadores quiseram saber junto à Prefeitura foram respondidos satisfatória e tempestivamente. Também não posso reclamar das atenções a mim dispensadas em muitíssimas ocasiões.


Ur - O Sr. não acha que tendo o Tribunal de Contas dado um "Parecer Contrário" à aprovação das contas 2004, deixaria os vereadores um tanto temerosos em discordar dele?


Prefeito - A Câmara Municipal é autônoma e soberana em sua posição. Tomei conhecimento de que no ano de 2004 o TCE deu Parecer Contrário às contas do Poder Executivo e as Câmaras Municipais discordaram dele em muitos municípios, entre eles: Cardoso Moreira, Bom Jesus do Itabapoana, Miracema, Maricá, São Pedro da Aldeia, Saquarema, Conceição de Macabu, Belford Roxo, Nova Friburgo, Magé, Mesquita, ...


Ur - O Sr. é reconhecidamente um homem íntegro, honesto. A sua imagem sai prejudicada nesse episódio?

Prefeito - A Revista VEJA de 31/01/2007, pág. 51, publicou pesquisa do IBOPE, informando o que os brasileiros acham dos políticos. O resultado foi: "desonestos, insensíveis, mentirosos", entre outros adjetivos. Perguntou também quais animais estão mais associados à imagem dos parlamentares. A resposta foi: "rato, abutre, coruja". Sem querer dizer que sou melhor do que ninguém, tenho paz de alma, agradeço a Deus por isso. Fui inspecionado por Fiscais do Estado, da Controladoria Geral da União, da Pólícia Federal, não tendo sido encontrado absolutamente nada que viesse em meu desabono. Eu esperava que meus velhos conhecidos de infância viessem poupar-me nas circunstâncias dessa votação.


Ur - O Sr. guarda algum tipo de mágoa pelo acontecido?


Prefeito - De forma nenhuma. Reconheço que no meio político acontecem coisas dessas. Aceitei entrar na vida pública no desejo de contribuir na melhora desse meio. Estou pagando caro por isso. Tenho ainda pouco mais de um ano para governar minha querida Italva e desejo fazer o que puder para continuar melhorando as condições de vida de nossa gente. Quero ser lembrado como um Prefeito que não só não roubou, não deixou roubar mas fez muito por Italva.

Ur - Quais são as principais dificuldades encontradas pelo Sr. para administrar o município?


Prefeito - Como já foi divulgado anteriomente, nosso mandato iniciou deparando-se com uma dívida assustadora de R$20 MILHÕES DE REAIS. Só para relembrar os números eram esses: * Com fornecedores - R$ 1.729.322,59 - * Com servidores - R$ 625.769,20 - * Com o INSS - R$ 3.800.000,00 - * Com Fundo Previdenc- R$13.949.734,92 -

T O T A L de R$ 20.104.826,71.


A dívida com o INSS foi parcelada para pagamento em 20 anos. Estamos com uma prestação mensal atualmente de R$26.000,00 referente ao débito da Prefeitura e uma prestação de R$5.200,00 da Câmara Municipal (esta por 60 meses, já quitadas 49, faltando 11). Como pode ser facilmente observado, esses compromentimentos inviabilizam muitas iniciativas. São mais de R$350.000,00 anualmente gastos no pagamento desses parcelamentos. Já imaginou quantas obras poderíamos ter feito? A começar pela tão sonhada rodoviária, mais praças, quadras, calçamentos, casas populares, prédios próprios,asfaltamentos e tantas outras coisas. Vale ressaltar que os recebimentos dos royaltes tem sofrido queda, chegando já a 40%.

Mesmo assim, foram destinados mais de 1 milhão de reais de recursos próprios para a realização de obras.

Ur - Com tantas dificuldades, quais tem sido suas prioridades?


Prefeito - Foi, é e sempre será o pagamento em dia dos servidores. Eles sendo respeitados, trabalharão mais contentes e quem sai ganhando é a população merecedora de todo carinho pois é ela, com seus impostos que mantém o poder público. É prioridade também os fornecedores. Quitamos o débito do governo anterior com todos eles. Eram mais de 160 credores. Estamos pagando a todos em dia. Acredito que agindo assim, favoreço o desenvolvimento local. Alegro-me em saber que nosso comércio estará sorteando um carro Okm neste final de ano. Com os fornecedores recbendo em dia, estamos atraindo melhores produtos com menores preços. Sabem que irão receber e não terão de dar propinas.


Ur - Além dos salários em dia, o servidor tem mais vantagens?

Prefeito - É respeitado em seus direitos. Ao assumirmos nosso mandato, encontramos o Fundo Previdenciário do servidor municipal com apenas R$94 mil reais. O cálculo atuarial do Banco do Brasil informava que deveria ter mais de R$13 milhões. Por este motivo o Ministério da Previdência está negando o CRP-Certificado de Reguraridade Previdenciária ao município de Italva. Assim sendo estamos ficando impedidos de pleitear convênios e receber recursos. Atualmente estamos depositando a parte de contribuição do servidor e da Prefeitura, acumulando um total próximo de R$8 Milhões de reais em conta de aplicação financeira no Banco do Brasil - Agência Italva. Atualmente já temos 58 servidores e pensionistas usufruindo de seus direitos. Vale lembrar que o governante anterior arquitetou a edição da Emenda no. 06 de 14/03/2000 à Lei Orgânica do Município que, pela sua inconsticionalidade, trouxe desastroso desamparo para cerca de 100 servidores. Ao assumir o débito junto ao INSS e cumprir com seu pagamento, muitos desses sacrificados servidores estão podendo pleitear benefícios ou aposentadorias, atenuando suas perdas.


Ur - E quanto a seu futuro político?


Prefeito - Continuarei de cabeça erguida, consciência tranquila, agradecendo a Deus por tudo que me tem concedido. No momento certo, estarei me pronunciando sobre o rumo político que tomarei. Por enquanto, quero cumprir fielmente o mandato que o querido povo italvense me concedeu por duas gestões.

 

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