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11/01/2009 - 13:53
Desordem Urbana e Omissão Policial

Leio no apreciado e sempre atualizado ITALVA on line, que alguns delinquentes perturbaram, irresponsavelmente,  o sossego da madrugada de muitos italvenses;  e que a polícia, reiteradamente solicitada, fez ouvidos moucos aos apelos no sentido de por fim à desordem.
 
Quero condividir da sua indignação, desolação, descrença e revolta, e dos mais que experimentarem esses sentimentos em relação aos poderes públicos, relativamente ao assunto.  Válido dizer que chegamos ao "fim da picada"!
 
Essa baderna noturna seria episódica se não fora o resultado da desordem que se instalou na cidade, faz tempo.  Que, a seu turno, introduziu-se pela via inconsequente do despreparo governamental, da incompetência gerencial, da política mentecapta, da patética ausência de autoridade, que inculcou no povo a suportação estóica do caos urbano por falta de a quem reclamar providências.
 
O desgoverno local se identificava pela divisa cínica do "não estou nem aí".  E não estava mesmo.
 
O estado de bagunça geral não é novo, infelizmente.  Está, inclusive, nos cemitérios.  Nem a dignidade dos mortos tem sido respeitada:  no cemitério da Ciriba - tradicional nome do principal, os túmulos se amontoam como barracos em favelas, quase impedindo a circulação;  no São Caetano, não há muro de cercamento, o mato cresce livremente, e os animais soltos pastam e defecam, livremente, em seu interior.  O lixo se espalha pela cidade, transformando-a num viveiro de seres nocivos.  O sistema viário mais parece a superfície lunar: buracos para todos os lados (veja-se a principal, Portela Salles, como está).  As estradas estão desaparecendo em meio a matagal.  Os serviços ditos médicos são de absurdez inimaginável, além de loteados pela prática clientelista tão perversa quanto imoral, e que não acaba, nunca!  Até a segurança pública, que tem sido satisfatória, apesar da falta de uma Delegacia Policial - que ninguém quer patrocinar, resolveu mostrar as unhas neste, agora, sim, episódio.  
 

O Prefeito devia ter sido acordado, ser informado do que acontecia, e exigir a restauração da ordem pública.  Ele é o síndico do condomínio. Se preciso, havia de acordar, também, até o Governador.  A defesa social e a segurança pública são deveres do Estado - diz a Constituição.  À Polícia Militar incumbe, por designação constitucional, a preservação ou a manutenção da ordem pública, mediante ações coativas ou repressivas das manifestações de criminalidade ou violência, garantindo o pleno exercício da ciadania.  O cidadão elege o politico e contrata o funcionário público para tê-los a seu serviço - são empregados do povo, não patrões seu.  Compreende-se que o povo tenha se esquecido de que o Município tem Prefeito.  A indiferença, o descaso dos superiores é que dá origem à omissão dos subalternos.

 No caso de que se trata, a conduta policial omissiva reclama medidas administrativas e disciplinares corretivas, rigorosas.  Porque se ao cidadão não é permitido desconhecer a lei, menos, ainda, ao funcionário que tem a função de executá-la.  Ainda que por absurda ignorância pudesse alegar que a Lei do Silêncio tem validade entre vizinhos, apenas, a Lei das Contravenções Penais, no capítulo referente à paz pública, prevê, no artigo 42, que constitui "perturbação do trabalho ou sossego alheios", gritaria, algazarra, e o abuso de instrumentos sonoros ou sinais acústicos, do que pode resultar prisão de um a três meses, segundo o art. 42, como o sabe, aliás, o proficiente advogado e jornalista.

 Oportuno lembrar, aqui, a teoria das vidraças quebradas, que inspirou o prefeito de Nova Iorque, Rudolph Giuliani, tempos atrás, a aplicar a politica da tolerância zero.  Ex-Promotor Federal, Giuliani entendeu que a criminalidade grande não nasce desse tamanho;  que existe um nexo de causalidade entre os pequenos delitos e os maiores.  Ou seja, são as pequenas desordens que, por falta de oportuna e adequada repressão, abrem espaço para a prática de crimes mais graves.  Faz sentido com prolóquio dos nossos avós, segundo o qual se deve educar o menino para não ter de punir o homem.  Ou, que "é de pequenino que se torce o pepino". 

 O novo (?) Governo Municipal tem essa grave e imperiosa incumbência de restaurar o princípio da autoridade municipal, e restituir ao povo a auto-estima e a confiança no Poder Público, perdidas nas enchentes politico-administrativas que tem assolado o Município, e tão devastadoras quanto as cheias do rio Muriaé.

 Parabéns pela permanente e corajosa vigilância na defesa dos superiores e legítimos interesses dos italvenses, com a reconhecida e sempre louvada independência.  Que o povo preste bastante atenção e possa distinguir quem suporta o ônus desse trabalho, e os que  recebem o bônus para executá-lo, sem a contrapartida obrigatória.

 Fraterno abraço do

 *Francisco Setembrino.

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*Advogado e Jornalista. Fundador do jornal "O Italvense".

 

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